“Não há nada tão estúpido como a inteligência orgulhosa de si mesma.” Mikhail Bakunin
A cultura e as relações interpessoais
Atitude
Significa uma maneira organizada e coerente de pensar, sentir e reagir em relação a grupos, questões, outros seres humanos, ou, mais especificamente, a acontecimentos ocorridos em nosso meio circundante.
É um dos conceitos fundamentais da psicologia social. Faz junção entre a opinião (comportamento mental e verbal) e a conduta (comportamento ativo) e indica o que interiormente estamos dispostos a fazer. Segundo Jean Meynard, “É uma disposição ou ainda uma preparação para agir de uma maneira de preferência a outra. As atitudes de um sujeito dependem da experiência que tem da situação à qual deve fazer face”. Pode se dizer também que é a “Predisposição a reagir a um estímulo de maneira positiva ou negativa”.
Uma atitude é uma tendência para responder a um objeto social – situação, pessoa, grupo, acontecimento – de modo favorável ou desfavorável. A atitude não é, portanto, um comportamento, mas uma predisposição, uma tendência relativamente estável para uma pessoa se comportar de determinada maneira. É uma tomada de posição intencional de um indivíduo face a um objecto social.
Auto-organização
Propriedade que carateriza os organismos capazes de construir ou de manter a sua organização sem contribuição energética exterior.
Categorização social
Para Gordon Willard Allport categorizar é incluir pessoas e acontecimentos singulares em conjuntos familiares; integrar num conjunto máximo de informação, economizando estratégias de pensamento e facilitando a atuação na realidade; identificar objetos e acontecimentos portadores de marcas ou sinais próprios das categorias em questão; atribuir aos objetos caracterizados um complexo de ideias e emoções que passa a permanecer em cada um deles.
Segundo Henri Tajfel a categorização é um «Conjunto de processos psicológicos que tendem a ordenar o ambiente em categorias: grupos de pessoas, de objetos, de acontecimentos … enquanto equivalentes uns aos outros pela ação, as intenções, as atitudes de um indivíduo».
A categorização permite generalizar as características de uma categoria a todos os objetos, pessoas ou situações que a compõem. Orienta e serve de guia para a nossa ação, reduzindo a complexidade do mundo social.
Comportamento antissocial
O comportamento antissocial é caracterizado pelo desprezo ou transgressão das normas da sociedade, frequentemente associado a um comportamento ilegal.
Ter comportamentos antissociais em certos momentos não indica necessariamente um transtorno de personalidade antissocial (também conhecido como psicopatia ou sociopatia). Indivíduos antissociais, frequentemente, ignoram a possibilidade de estar a afetar negativamente outras pessoas, por falta de empatia com o sofrimento de outras. Exemplos de comportamentos antissociais incluem crimes sérios, tais como o homicídio, a piromania, o furto, o vandalismo, bem como infrações mais leves, nomeadamente críticas cruéis, bullying, sadismo, desrespeitar a privacidade e dizer palavrões.
O termo antissocial também é aplicado no senso comum a pessoas com aversão ao convívio social, como a fobia social, introvertidas, tímidas ou reservadas (que não é sinónimo do termo "antissocial" referente à psiquiatria, o mais correto para estes casos de acordo com a psiquiatria é o termo misantropia). Clinicamente, antissocial aplica-se a atitudes agressivas contrárias e prejudiciais à sociedade, não a inibições ou preferências pessoais.
Comportamento prossocial
Para os psicólogos sociais, comportamento prossocial é uma série de condutas humanas que dizem respeito ao benefício de outras pessoas. A gentileza é um tipo de conduta prossocial, que se refere, na grande maioria das vezes, às interações que temos no dia-a-dia de forma direta ou indireta com outras pessoas que habitam o mesmo ambiente sócioespacial em que vivemos.
Conflito
Estado psíquico originado pela tensão entre duas tendências percebidas como antagónicas por uma pessoa.
Conformismo
O conformismo é uma forma de influência social que consiste na mudança de comportamento ou de atitude, por parte de uma pessoa, devido ao efeito de pressão do grupo social. Por outras palavras, é um processo de adaptação de juízos ou normas, pré-existentes no sujeito, às normas de outro indivíduo ou grupo de indivíduos, como consequência de pressão real ou simbólica por eles exercida. Assim, os indivíduos cedem a essa pressão devido ao desejo de permanecerem integrados, não excluídos do grupo.
Solomon Asch realizou uma experiência célebre, que teve como objetivo conhecer o modo como as pessoas se influenciavam umas às outras.
Cultura
Sistema de atitudes, normas e disposições materiais ou de comportamento, mediante o qual uma sociedade obtém para os seus membros satisfações maiores do que seria possível se vivessem em estado natural. A cultura inclui as instituições sociais, os saberes, as crenças, as artes, os costumes, as tradições e os valores.
Diversidade
Diferenças culturais que existem entre os seres humanos.
Estereótipo
Estereótipo é o conjunto de crenças que dá uma imagem simplificada das características de um grupo ou dos membros dele. São crenças a propósito de características, atributos e comportamentos dos membros de determinados grupos, são formas rígidas e esquemáticas de pensar que resultam dos processos de simplificação e que se generalizam a todos os membros do grupo. «Os brasileiros são alegres», «As mulheres têm um sexto sentido apurado», «Os indianos são inteligentes».
Identidade social
Noção e sentimento e de pertença a determinados grupos sociais. O conceito de identidade social parte da constatação de que o índivíduo enquadra as outras pessoas e a si próprio nas mais variadas categorias de classificação (por exemplo europeu, mulher, educado, conservador, desportivo). Os critérios de classificação podem ser objetivos e manifestos, mas também pode ser resultado do pensamento social do indivíduo. Designa-se como identidade social a noção ou crença do indivíduo de pertencer a dadas categorias, sendo que esta cognição está acompanhada por uma componente afetiva - um sentimento mais ou menos forte de pertença. Cada infivíduo tem uma variedade de identidades sociais que habitualmente se apresentam de maneira estruturada.
Impressão
Um dos processos de cognição social são as impressões: imagens ou ideias formadas a partir de características decorrentes do primeiro encontro. São facilitadoras da relação interpessoal, pois dão segurança e favorecem a comunicação. Na base das impressões está a categorização, que consiste no reagrupamento de pessoas, objetos e situações, a partir do que consideramos serem suas semelhanças e diferenças.
As impressões constroem-se essencialmente a partir da nossa interpretação, ou seja, nós percecionamos o outro a partir de uma grelha de avaliação que remete para os nossos conhecimentos, valores e experiências pessoais, mas também dos indícios do primeiro encontro. Estes indícios podem ser: físicos, verbais, não-verbais e comportamentais.
Obediência
Sinónimo de submissão à autoridade, a obediência acontece quando as pessoas não se sentem responsáveis pelos seus atos, porque estes foram ordenados pelos seus superiores. Assim, para os executores da tarefa, o responsável será a figura de autoridade que os instigou ao cumprimento da ordem. Acatando as ordens, quer estejam de acordo com os princípios próprios ou não, as pessoas obedecem e não assumem a responsabilidade inerente ao ato em questão. Aceitam porque não querem sofrer as consequências que advêm da desobediência.
Os fatores que influenciam a obediência são: a proximidade com a figura de autoridade; a legitimidade da figura de autoridade; a proximidade da vítima e a pressão do grupo.
Padrão
Formas coletivas de comportamento que permitem aos seres humanos aferir a sua conduta individual e prever a conduta dos outros.
Preconceito
Preconceito (prefixo pré- e conceito) é um "juízo" preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude "discriminatória" perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. As formas mais comuns de preconceito são: social, "racial" e "sexual".
Representação social
A representação social é um recurso muito importante para se viver em sociedade, isso porque ela engloba explicações, ideias e manifestações culturais que caracterizam um determinado grupo. A representação acontece a partir da interação dos indivíduos e apesar do homem viver num ambiente, ele não perde os atributos típicos de sua personalidade.
A primeira base teórica do conceito foi elaborada por Serge Moscovici em 1961, tendo utilizado estudos na área de psicanálise para chegar às suas conclusões. Para se entender as relações humanas, é necessário fazer uma análise do coletivo, verificando assim a troca de conhecimentos que a representação social é capaz de promover dentro do grupo.
Moscovici ainda afirmou nos seus estudos que existem duas formas de representação social, a ancoragem e a objetivação. A primeira faz referência às ideias abstratas que ganham um formato real, já a segunda desenvolve novas imagens de um assunto e propicia a criação de novos conceitos a partir de um assunto. É válido lembrar que o estudo da Representação social se mostra importante para compreender o avanço da sociedade e o comportamento do individuo inserido num grupo.
Racismo
É a convicção sobre a superioridade de determinadas raças, com base em diferentes motivações, em especial as características físicas e outros traços do comportamento humano e consiste numa atitude depreciativa não baseada em critérios científicos em relação a grupos sociais ou étnicos.
Socialização
Processo pelo qual os indivíduos se integram no grupo social, adquirindo as atitudes, as crenças e os valores mais significativos da cultura desse grupo e assumindo-os como seus.